Homem-Aranha (2002) | Crítica

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Embarcando na maratona para “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”, o Drop Cultura traz uma série de críticas dos filmes que o teioso recebeu ao decorrer dos anos, indo desde o primeiro longa dirigido por Sam Raimi e protagonizado por Tobey Maguire (ao qual trataremos hoje), até o recente “Longe de Casa”, que contém acontecimentos que basicamente motivam sua sequência que chega dia 16 de dezembro nos cinemas.

Hoje, como citado, iremos comentar o primeiro longa do herói produzido pela Sony Pictures Entertainment: Homem-Aranha, de 2002. Estrelando Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Willem Dafoe e JK Simmons, ele pavimentou muito do mercado de filmes de herói até chegar no Universo Cinematográfico da Marvel, tendo inclusive como produtor executivo o atual presidente da Marvel Studios, Kevin Feige.

Antes, é importante lembrar que o imaginário coletivo das origens do teioso não era tão bem traçado para os não leitores de quadrinhos quanto é hoje. O mais próximo que o público havia chegado de uma história de origem do Homem-Aranha no audiovisual era a sua versão dos anos 70 protagonizada por Nicholas Hammond, além de uns flashbacks presentes na abertura da série animada de 1994 da Fox.

Portanto, o diretor Sam Raimi tinha um longo trabalho pela frente. E em todos os aspectos; Deus, como ele fez bem! Algo que o próprio Tobey Maguire (que embora não seja lá o ator mais incrível que você já viu, cumpre bem seu papel) já comentou é como os fãs mais fiéis do personagem ficaram felizes com a riqueza dos detalhes do longa, enquanto ele também conseguiu estabelecer aquilo de mais importante para quem nunca havia ouvido falar do amigão da vizinhança.

E pessoalmente, o interessante é observar como mesmo tendo uma riqueza de detalhes dos quadrinhos, os filmes do personagem dirigidos por Sam Raimi têm uma identidade visual e narrativa forte o suficiente para que sejam uma experiência bem distinta de tudo que o herói havia traçado na televisão, quadrinhos e nos videogames até então.

Mas comentários de lado, vamos para a crítica.

Um filme, acima de tudo, sobre Peter Parker

Antes de ser essa sequência maravilhosa de porradaria e balanços de teia por toda Nova Iorque, o longa de Raimi é sobre Peter Parker. Um adolescente de fácil identificação em suas frustrações, ou pelo menos facilmente compreensível para aqueles que não encontram ali uma parte de si mesmo. Todavia, o filme sequer começa com Peter Parker na telona; da Mary Jane de Kirsten Dunst até as frustrações de figura paterna dos Osborn, Raimi consegue estabelecer uma base pra lá de sólida em pouco menos de 10 minutos de tela.

E enquanto um filme de origem, é curioso como ele não perde um segundo de tempo de tela sequer. Outra excelente introdução é a dos tios de Peter, Ben e May Parker, os diálogos iniciais já mostram o tipo de personagem que ambos são e o que devem representar para Peter. Deixando as figuras metalinguísticas (e, de certa maneira, até sexualmente sugestivas) da transformação biológica de Parker de lado, as cenas dos poderes de Peter sendo apresentados na escola além de estabelecerem bem as capacidades futuras do herói, também são cômicas e agregam ao personagem e ao seu desenvolvimento. Nem preciso citar a sua sequência com o Tio Ben, né? Icônica!

Em seguida, temos um momento que se divide entre caótico e decisivo pra jornada de Parker, o momento que o Homem-Aranha nasce com a morte de Ben Parker. O nascimento do herói após Peter se dar conta de que com grandes poderes vem grandes responsabilidades é um momento, além das lindas cenas de web swing pela cidade. A construção do personagem naquele imaginário popular também é um aspecto importante, brilhantemente abordado no filme, diga-se de passagem.

Agora, após o surgimento do Homem-Aranha, podemos falar de um dos personagens mais fantásticos dessa versão: o J. Jonah Jameson de JK Simmons. Vamos fingir por um só instante que a escolha do ator para o papel também não foi fantástica em fisionomia e semelhança física com o personagem; essa versão de Jameson ainda é fantástica.

Traz a perseguição do jornalista com o herói, mas também traz uma peculiaridade de um roteiro trabalhado no mais profundo caos no Clarim Diário, onde Sam Raimi deixa explícito como tudo envolvendo o jornal é uma grande bagunça orquestrada por uma mistura de figura obcecada pelo protagonista com uma espécie de Michael Scott antes de The Office. De tantas escolhas arriscadas, JK Simmons brilha, sendo eternamente o J. Jonah Jameson dos cinemas, seu retorno nos filmes do MCU não foi em vão.

Uma aranhazinha subia com cautela…

Como subtrama, o filme não deixa de explorar Norman Osborn. O egocêntrico bilionário que abre mão de sua vida pessoal não poupa esforços com os projetos da Oscorp, chegando ao ponto de se sacrificar em um teste de protótipo que seria vendido ao governo americano, mesmo tendo consciência que se considerava rever o projeto desde a fórmula (“desde a fórmula?” é uma frase icônica desse filme, diga-se de passagem).

E é aí que o Duende Verde surge. Muito mais que um vilão separado e distinto da figura de Norman, seu excêntrico alterego apenas realça seu lado mais egoísta, em que o filme sempre mostra que estava lá desde o início.

Uma metáfora visual que deixa isso claro são os dentes de Willem Dafoe no longa: enquanto Osborn, o ator usa uma prótese dentária. Mas nos monólogos vilanescos, o lado Duende Verde de Norman se manifesta com os dentes imperfeitos do ator, sendo uma metáfora perfeita de como ele nada é do que Norman Osborn sem amarras. Todavia, a atuação de Willem Dafoe tentando separar os alteregos é não só um dos pontos mais altos do filme, como também da trilogia, Dafoe dá um show e merece seu destaque.

Com vilões e heróis estabelecidos, é hora da ação! E embora as coisas parecessem datadas no meu imaginário, essas sequências são muito melhores do que eu lembrava. Embora sim, nem tudo pareça a coisa mais semelhante com o que estamos acostumados, tudo ali tem seu mérito.

A sequência na Times Square é fantástica, mostra o Homem-Aranha em ação (de verdade) pela primeira vez. A sequência salvando o garoto, a referência ao Superman de Christopher Reeve… é tudo fora de série.

E tal qual a série animada dos anos 90, Duende é um vilão principalmente psicológico. Enquanto as coisas entre Mary Jane e Peter vão avançando (com o dilema de um amor não correspondido de Watson ao alterego de Parker, veja você), Norman luta contra si mesmo ao descobrir a identidade do herói. Duende, no entanto, ataca o coração, como ele mesmo diria eventualmente.

Além de atacar a Tia May, Duende Verde também descobre sobre Mary Jane e faz mais uma vítima. Em clara referência ao fatídico fim de Gwen Stacy nos quadrinhos em uma terrível morte em uma ponte, o confronto final entre o Homem-Aranha e o Duende também ocorre por lá. Mas, obviamente, o desfecho é diferente: por agora, o herói salva o dia. Mas o confronto segue, com uma sequência que além de bem dirigida, é pra lá de bem escrita. O “eu tenho um pai, o nome dele era Ben Parker” arrepia até hoje.

A morte de Norman e o Duende ocorre ali, no ponto de uma boa direção e roteiro. Em seu enterro, vemos 2 caminhos que funcionam tão bem de forma independente, mas também funcionaram muito para a sua sequência: o inconformismo de Harry Osborn e seu ódio pelo Homem-Aranha ter supostamente matado seu pai, mas também o dilema amoroso de Peter e Mary Jane, onde Parker tem que abrir mão daquilo que mais quer pelo fardo que carrega. Afinal, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. E com uma linda sequência final do herói se balançando pela cidade, termina Homem-Aranha de 2002.

O que será aproveitado em “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa”?

Além dos dilemas da versão de Tobey Maguire do herói, o que deve ser muito bem aproveitado é o Duende Verde de Willem Dafoe, que pode ter um papel importante na formação do primeiro Sexteto Sinistro da história do Homem-Aranha nas telonas. Honestamente curioso em ver como Dafoe vai se sair revisitando esse personagem quase 20 anos depois.

Veredito final: Homem-Aranha (2002) de Sam Raimi é uma origem muito bem condensada, colocando em prova a competência e pluralidade de Sam Raimi enquanto diretor. Ao mesmo tempo que traz suas liberdades criativas como a teia orgânica, respeita a essência do material original, mas com muita identidade própria. Um Homem-Aranha bem apresentado e estabelecido, com um ar de classicismo que veio com a idade.

Nota: 9/10

Mas e você, também relembra esse clássico com carinho? Comente!

Leia também: O que assistir antes de Homem-Aranha Sem Volta Para Casa?

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